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sábado, 25 de junho de 2011

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Mais difícil que parece...

Chegara o sábado e eu não podia mais correr do compromisso de levar o meu filho e seus amigos ao cinema. Ele foi esperto, me pediu no começo da semana, enquanto eu redigia um e-mail no computador. Todo mundo sabe que homem é uma lástima em fazer múltiplas tarefas, por isso acabei confirmando sem perguntar detalhes, no intuito de não perder o ritmo dos afazeres, e desde então, ele tem falado nisso todo dia.
Busquei-os no colégio, após uma reunião de trabalho em grupo; esperava uns 2, mas vieram 5 garotos, barulhentos, alegres, falastrões, me fazendo ter um esforço sobrecomum para organizar todos antes de atravessar a rua. Não sei como os meus avós conseguiam ter 7 a 10 filhos. Sair de casa com essa prole inteira necessitava de um planejamento meticuloso de organização. Sempre tem um que sai na frente, flertando com o perigo, ignorando nossos gritos e tentativas de segurar em suas mãos.
Quando cheguei ao shopping, suspirei, recontei o time e segui adiante, tentando fazer a tarefa o mais rápido possível para chegar em casa e mergulhar no sofá diante de algum filme. Chequei a carteira para ver se tinha dinheiro para seis ingressos, enquanto tentava gerenciar todos os garotos pelo caminho até o cinema. De repente, João, que tinha uns 10 anos, enguiçou. Tentei puxá-lo mas logo ele adquiriu resistência e o peso de uma bigorna.
- O que houve?
- O que é isso?
Me apavorei em imaginar que ele poderia estar sofrendo de algum tipo de amnésia que surgiu justamente quando eu estava cuidando dele.
- Isso o quê? A escada rolante?
- É, eu nunca vi.
- Você nunca veio ao shopping?
- Não nesse... Ela tá se mexendo, se eu colocar o pé eu vou cair.
Uma fila tensa já se formava atrás de nós. Sequer pude impedir os meninos de tirarem sarro dele, pois eu estava beirando a mesma situação. O coloquei nos braços e segui escada acima, já imaginando que os pais desse garoto não deveriam ser muito presentes.
A essa altura, os dedos já estavam apontados, e as gargalhadas soavam ao fundo... E eu não podia fazer muito em relação à gozação quanto à inexperiência de vida, até que João confessou:
- Eu já beijei uma menina na boca.
Todos esqueceram da escada rolante e quiseram saber mais detalhes sobre o feito.

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