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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

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Procela…

Não imaginei que após tanto tempo você ainda surtiria efeito em mim. Deve ser culpa dessa sua imbecil e perfeita fotogenia. De mau fisionomista que sou, talvez conseguisse passar ileso, se cruzássemos caminhos numa calçada qualquer, mas com esse teu meio sorriso pausado, menina, não há como resistir.

Eu deveria ter deixado quieto, mas você sempre evoca em mim aquela sintonia que não tive com mais ninguém, junto às dúvidas que cercam o real motivo de nosso término. Tudo bem, admito que demorei para conformar-me, entretanto acho que a gente não daria certo no fim das contas. Porque, por mais que eu tentasse me controlar, não conseguia deixar a relação ser levada pela suave e lenta corrente do rio. Sempre tinha que me dispor de meus imensos remos de amor e cumplicidade, na ânsia de avançar nosso barco ao oceano de sentimentos certos e recíprocos.

Mas você, moça, queria amar a espera, o drama, o mistério, e não um homem, e não pôde perceber que, apesar desse rio previsível, o meu mar também consistia em surpresas… Agradáveis surpresas. Exasperou-se por conta de toda essa calmaria e resolveu você mesma tornar-se a tempestade. Fechou o tempo, quebrou meus remos e deixou-me à deriva dos teus ventos que sopraram o nosso barco rumo à minha nascente de solidão.

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